Como se faz uma biojoia de resina com flor real
Publicado em 14 de agosto de 2026 · Flores em Você

Uma flor que para no tempo
Toda biojoia começa com uma escolha simples e difícil: qual flor. Ela precisa estar no
ponto — nem botão fechado demais, nem já passando. É uma janela curta, de poucos dias,
e é ela que decide como a peça vai ficar meses depois.
Esse é o primeiro motivo pelo qual não existem duas biojoias iguais. A flor que entra
na resina hoje não vai se repetir amanhã.
1. A colheita
A flor é colhida seca, de preferência no meio da manhã, depois que o orvalho evaporou.
Flor úmida não desidrata bem: a água presa nas pétalas vira mancha ou mofo lá na frente.
2. A desidratação
É a etapa mais demorada e a que mais separa o artesanato bem-feito do improviso. A flor
perde água lentamente, em ambiente controlado, entre camadas que sustentam o formato.
Ir rápido demais enruga a pétala. Devagar demais escurece a cor. O ponto certo é quando
a flor está completamente seca e ainda parece viva — leve, com a cor que tinha, sem
estar quebradiça.
Dependendo da espécie, leva de alguns dias a algumas semanas.
3. A arte em resina
A resina cristalina é preparada e despejada em camadas. Nunca de uma vez só: uma camada
grossa aquece enquanto cura, e o calor pode amarelar o material ou deslocar a flor.
Entre uma camada e outra, o trabalho é de paciência — posicionar a flor, tirar as bolhas
de ar uma a uma, esperar curar. Uma bolha esquecida é permanente.
A resina usada aqui é do tipo que não amarela com o tempo. Existem resinas mais baratas
que ficam com aspecto de âmbar em um ou dois anos, e é uma das diferenças que não dá
para ver na foto — só depois.
4. Acabamento
Curada, a peça é lixada em várias granulaturas e polida até ficar transparente. É a etapa
que dá o brilho de vidro. Depois vêm os componentes: cordão, fecho, argola, pino de
brinco.
Por que cada peça é única
Some tudo: a flor daquele dia, o formato que ela assumiu ao secar, como ficou posicionada
na resina, o polimento à mão. Nenhuma dessas variáveis se repete igual.
Por isso o catálogo funciona por peça, e não por modelo. Quando uma sai, ela sai de vez.
Dá para fazer com a minha flor?
Sim — é o que a gente chama de peça personalizada. O buquê do casamento, a flor da
formatura, a flor do jardim de alguém. A flor precisa estar em bom estado, e o ideal é
conversar antes de secar por conta própria, porque a desidratação é justamente a parte
que mais compromete o resultado se for feita de qualquer jeito.
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